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RESOLUÇÕES POLÍTICAS DE FUNDAÇÃO POM - ORGANIZAÇÃO PELA CONSTRUÇÃO DO PARTIDO OPERÁRIO MARXISTA

I - DA RESOLUÇÃO:

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A presente resolução reivindica para si toda a experiência histórica no campo da teoria e do programa, bem como a prática resultante de toda a obra marxista e, principalmente, os documentos programáticos históricos como o Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels, os Quatro Primeiros Congressos da Terceira Internacional Comunista, o Programa de Transição da Quarta Internacional e as Resoluções da IV Internacional até 1940 (morte de Trotski).

A organização concebe o fenômeno da ausência de direção do proletariado revolucionário assinalada no Programa de Transição como resultado e pela ausência de um partido verdadeiramente marxista como programa, de quadros, amparados nas experiências e conquistas teóricas dos bolcheviques, na conformação do proletariado organizado politicamente como classe. Este fator, que simplesmente, como parte de um programa escrito, torna-se formalidade, uma vez que a classe operária organizada politicamente como classe reflete, aspira e se manifesta de forma verdadeiramente comunista, ou seja, de forma estritamente coletiva, conspiratória à propriedade privada dos meios de produção.

A organização coletiva capaz de conspirar conseqüentemente contra o regime da propriedade privada, pela sua destruição e a conseqüente coletivização dos meios de produção, só pode ser a única e científica idealizada por Lênin com base nos ensinamentos obtidos por Marx nos acontecimentos da Comuna de Paris, da necessidade da instalação da Ditadura do Proletariado como única forma de destruição da ditadura do capital (democracia formal) e Lênin deu forma organizativa a essa estratégia, ou seja, o regime partidário regido pelo Centralismo Democrático (estrutura bolchevique de Partido).

Um dos principais fatores que fazem permanecer a crise histórica de direção do proletariado é exatamente a formalidade que penetra nos partidos ou organizações "Marxistas" devido a toda a superestrutura montada pela classe dominante, a burguesia, para proteger a base econômica (propriedade privada dos meios de produção). Sem a presença do partido verdadeiramente marxista, como seção do partido mundial da revolução proletária, centralizado sob o signo da democracia operária, centralismo democrático, todas as idéias presentes na sociedade, a educação oficial, a cultura se configuram nos anseios das classes proprietárias, tanto da burguesa quanto da pequena burguesia. O predomínio das idéias da classe dominante entre os membros gerais de tal sociedade, faz com que se tornem possível de uma forma aparente e formal a defesa das bandeiras históricas do proletariado, de pontos conjunturais, etc. e mesmo a estratégia de revolução e ditadura do proletariado e, no entanto se mantendo nos princípios e nas aspirações voltadas para a divisão do trabalho e da propriedade privada dos meios de produção. Também e como conseqüência a divisão do trabalho que se harmoniza com a propriedade privada da qual surgiu esta ultima. O não rompimento com a prática da divisão social do trabalho se conformará cada vez mais a política do distanciamento dos princípios perseguidos, o teorizar e a prática se divorciam. A corrupção e o eleitoralismo se transformam na tática e estratégia.

O principal sintoma da formalidade se manifesta na burocratização. Desta forma, a análise dos acontecimentos pós-revolução Russa nos dará a dimensão dos aspectos dialéticos que estão intrínsecos entre a formalidade e a propriedade privada dos meios de produção, divisão técnica do trabalho e divisão social deste, consumando a apropriação individual do produto coletivo. No campo econômico se concentra capital, no campo do partido se concentra o conhecimento, informação e poder e assim como nas forças produtivas, no partido há a divisão dos que pensam e dirigem dos que executam e praticam.

II - DA  BUROCRATIZAÇÃO PARTIDÁRIA: 

A burocratização partidária concentra o poder e se assemelha à democracia formal, antítese da democracia SOVIÉTICA. A formalidade se refere ao não exercício dos princípios comunistas, das decisões coletivas, do trabalho e elaboração coletiva de forma que, ao invés do partido conspirar contra a propriedade privada, ele acaba se tornando em mais um entrave, neste sentido se dando o fortalecimento dos princípios de divisão de classe.

Nos Estados Operários Degenerados, a burocratização construiu as bases para o futuro retorno da propriedade privada e a consigna de revolução política reivindicada pela IV Internacional era a condição de manutenção e ampliação das bases comunistas do Estado Operário.

A burocratização dos pequenos grupos que se reivindicam do Marxismo e da própria IV Internacional tem se dado, principalmente, devido à composição social inicial destes agrupamentos, pelo fato de pertencerem a setores ou classe aquisitivo da "consciência social" advir da pequena burguesia (intelectuais) e não poderia ser de outra forma. Assim como nos ensina Lênin sobre a origem da política oportunista (do anarquismo senhorial pequeno burguês), a burocratização é um fenômeno que se assenta na formalidade e esta se apresenta como essência na democracia capitalista e no regime da propriedade privada dos meios de produção.

A construção do Partido Marxista pressupõe, antes de mais nada, um Partido Programa, assentado na Democracia Comunista (operária). A estrutura leninista de Partido é a única capaz de forjar teoria no campo do proletariado como classe, ocorre que com a formalidade essa teoria é desviada e por sua vez a prática assentada na divisão da sociedade em classes se realiza. Aqui se concentra a raiz do problema (fenômeno da burocratização partidária). Essa raiz está totalmente vinculada a política da classe em que se propõe implementar e a da classe que se propõe a implementa-Ia. Ou seja: o Comunismo nada mais é do que a consciência social e política do ponto de vista do materialismo histórico e dialético da classe operária (coletivização dos meios de produção). Assim, a política do Partido marxista é a política do proletariado. Ocorre que a classe que compõe os partidos chamados marxistas, na sua maioria absoluta, se dá exatamente nos setores proprietários (pequeno-burgueses). A não resolução da problemática em favor do proletariado moderno organizado como classe na contradição da política a ser guiada de uma classe e os introdutores desta política de outra classe se constitui num dos principais fatores históricos da crise de direção do proletariado.

III - A CRISE DE DIREÇÃO DO PROLETARIADO:

Somente um pensador, um intelectual, um revolucionário dirigente de um processo revolucionário e todos os problemas surgidos, compenetrado totalmente na relação da teoria e a prática como se configurou Leon Trotsky no período pós revolução Russa, para não ficarmos em fundamentações pouco palpáveis, pôde concluir com essa grandiosidade de consigna que a situação política mundial caracteriza-se, antes de qualquer coisa, pela crise histórica da direção do proletariado.

Da mesma maneira que Leon Trotsky pode, no processo da luta de classes, tirar essa conclusão histórica, do mesmo modo, nós da organização pela construção do Partido Operário Marxista concluímos como sendo um entrave a solução do fenômeno da crise de direção do proletariado a existência da separação da teoria marxista e a prática que a corresponde.

Quando nos referimos à prática, referimo-nos à prática concreta no seio da classe detentora das bases instintivas do comunismo. Referimo-nos à fusão dos pequenos burgueses que iniciam nas idéias marxistas com a classe operária, não em tese filosófica e sim em fusão real na luta diária que trava essa classe laboriosa, no exercício do Centralismo Democrático. Desta forma, afirmamos que se torna impossível para uma organização que se reivindica do Marxismo não ter em seus quadros, operários e não conseguir se firmar no movimento operário.

O segundo fator histórico que emperra a solução da crise histórica de direção do proletariado diz respeito às estruturas burguesas que se montam no sentido de corromper e separar os lutadores e os próprios operários da política de sua classe.

No parlamento, que é uma instituição da burguesia, os revolucionários, para usá-Io em defesa dos princípios da Ditadura do Proletariado, exige-se ser um camarada testado e incorruptível, e totalmente controlado pelo partido, pois, tudo lá está montado para corrupção e o desvio político.

Nos Sindicatos Operários, se processa um fenômeno de extrema grandeza, ou seja, o operário sai do seio da classe instintivamente revolucionária e, na direção do sindicato, acaba, na maioria das vezes, abandonando esse instinto e assumindo totalmente a política burguesa. Aqui ocorrem duas interferências fundamentais:

1 - Apesar dos sindicatos serem uma genuína criação do proletariado, com o decorrer da história e com a legalização destes pela burguesia, esta foi impondo leis e regulamentações de forma a estruturar os sindicatos como extensão ao Estado de forma a separar os dirigentes dos anseios da massa representada.

2 - Aqui entra em cena o segundo fator que está totalmente ligado ao fenômeno da burocratização dos partidos "Marxistas", ou seja: a forma de representação burguesa adentra os sindicatos como parte da superestrutura da classe dominante na forma da democracia formal. A representação perde seu caráter imperativo das Assembléias de base e, ao contrário, assim como no parlamento burguês e no próprio Estado Burguês, os representantes são eles mesmos imperadores. Isto se torna possível exatamente através do exercício da democracia formal, presentes na vida diária dos sindicatos operários, predominando, criando assim as bases da burocracia que bloqueia as manifestações instintivamente comunistas das massas proletárias e se transformam em correias de transmissão da política burguesa em entrave da luta de classe do ponto de vista proletário configurando-se em aparatos dóceis, de conciliação de classe e de extensão do aparato estatal burguês.

O desenvolvimento das direções burocratizadas nos sindicatos também se dá, por estes se assentarem nas camadas proletárias mais qualificadas e com isto, melhor remuneradas de forma a se aproximar da política engendrada pela propriedade privada. Também um grande fator que favorece a burguesia, pois é um auxiliar tremendo da burocratização, são os privilégios particulares que começa a ter o dirigente, de fato, há uma tendência às vantagens particulares. Os revolucionários, os membros do Partido devem rejeitar qualquer benefício particular, saído do movimento. Seu sustento e de sua família deve ser devido a seu trabalho normal como qualquer outro assalariado, sua vida deve ser exemplar e totalmente pública. Devemos cultivar entre os oprimidos a necessidade da mais severa punição aos privilégios particulares dos militantes e dos dirigentes em qualquer nível.

A organização partidária comunista centralizada como partido conspirador nas organizações proletárias se apoiará nos mandatos imperativos das assembléias e desta forma, com o exercício da Democracia Operária, organizará a luta de classes no sentido de classe contra classe, até a tomada do poder pelo Proletariado em junção com toda a nação oprimida sob a direção do proletariado e de sua política.

Assim, temos de um lado o operário que vai para a direção do sindicato e a estrutura sindical e a política burguesa o corrompe devido a influência da estrutura sindical burguesa e da democracia formal.

Já no Estado Operário Exemplar (Rússia) a burocratização se deu pelo isolamento da revolução (rompimento do internacionalismo proletário), do rompimento com a estruturação do partido bolchevique e do centralismo democrático, democracia operária e por ser a Rússia um país atrasado, de economia desigual e exatamente pela implementação da formalidade em matéria de representação e autoridade. De forma que o fenômeno da burocratização é inerente a democracia burguesa e que, por sua vez, corresponde a propriedade privada dos meios de produção. É lógico que, com o exercício do centralismo democrático na seção Russa da III Internacional e da resolução dos problemas desta revolução nos marcos das discussões coletivas internacionais, do centralismo democrático, do exercício do Poder Soviético, sem a formalidade, o proletariado revolucionário internacional e as massas não permitiriam os crimes, política do socialismo em um só país e acordos contra a revolução e contra os proletários do mundo, conforme se deu. Com certeza, apesar do isolamento e mesmo o caráter embrionário do internacionalismo proletário a saída seria fatalmente encontrada.

Para concluirmos este ponto, resta salientar que as estruturas dos partidos burgueses também interferem nas "marxistas", desde a cobiça pelo voto à toda legislação eleitoral e partidária que facilita e dá toda regalia aos dirigentes, inclusive financeira, etc.           

 

IV - O FATOR FINANCEIRO

            É uma constatação histórica que o caráter financeiro é um fator decisivo na corrupção e desvio político, bem como do exercício de poder. Estas constatações têm levado, nos últimos dias, a uma das vozes da classe dominante, que acaba por se tornar quase que em senso comum de que a corrupção faz parte do ser humano e o próprio acesso ao poder já o corrompe. Essas afirmações são catastróficas uma vez que, desqualifica qualquer possibilidade de luta pelo fim da exploração. A burguesia parte do pressuposto de que com o predomínio da corrupção no seu regime, torna os seres humanos passíveis de corrupção.

O que é determinante no regime da corrupção e que transforma inclusive o ser humano em corruptível é exatamente a exploração do homem pelo homem é o regime da propriedade privada. Se o regime da propriedade privada é o que predomina, só pode haver exploração e a busca individual a qualquer preço. Na propriedade coletiva isto se dá ao contrário. O homem que foi capaz de introduzir toda tecnologia reinante hoje será e é capaz de possibilitar o acesso coletivo a todos, de todo avanço alcançado. O que impede é exatamente a ditadura do capital que protege a propriedade privada e o regime da exploração.

O que é uma constatação é o fato que a exploração do homem pelo homem é resultado da luta entre estes nas eras primitivas. O primitivo que não alcançou o seu desenvolvimento como tal, o que se deu foi exatamente o contrário, pois, o desenvolvimento do trabalho possibilitando uma produção maior que o necessário para a vida coletiva acabou por introduzir a luta de classes. Assim, não é o homem em si que guarda o germe da corrupção e sim o regime de exploração, da apropriação individual do trabalho coletivo que o conserva e o desenvolve. A tendência da humanidade é o desenvolvimento e o desenvolvimento dos meios de produção são a prova de todo seu alcance, o que ocorre é que este fabuloso conhecimento está nas mãos da classe dominante e esta detém o poder do estado e assim, das armas apropriando-se individualmente do trabalho alheio. A resolução desta contradição do alto desenvolvimento dos meios de produção e sua concentração nas mãos de uma classe dominante minoritária é a tarefa da ditadura do proletariado e o proletariado organizado como classe (como partido político) compenetrados e inter-relacionados com as organizações das massas proletárias, como fase transitória ao Comunismo.

A crise histórica de direção do proletariado não é mais só uma constatação histórica e sim um fenômeno histórico que os marxistas terão que resolver. O imperialismo tem um grande poder de fogo pela manutenção da não resolução deste fenômeno e com a queda dos Estados operários degenerados se estendem um fenômeno exatamente contrário a razão, ou seja: a confusão ideológica se aprofunda, o revisionismo ao marxismo se alastra ainda mais. O legado trotskista em relação a degenerescência da Revolução Russa se confirma e para os revisionistas se trata de seguir o canto do grande capital de que o marxismo morreu e etc. etc. quando na verdade o que se passa e o prognosticado pela IV Internacional, ou seja: com a burocracia na direção do Estado Operário e os acordos com a democracia burguesa (imperialismo) dois caminhos possíveis se vislumbravam-se:

a - o da revolução política que pressupunha resolver a crise de direção e,

b - na ausência do primeiro, o retorno para a situação inicial predominante no conjunto da sociedade (volta ao capitalismo).

A política neoliberal é o instrumento usado pelo imperialismo com dois objetivos centrais. Ou seja: o de resolução da crise econômica dos países altamente industrializados, outro é a necessidade de impor a confusão ideológica. Confusão esta possível pela ausência de uma direção marxista entre os proletários mundiais. Se não resolvermos O legado histórico do Socialismo a humanidade está direcionada para a barbárie. 

Na essência o que já é uma constatação de uma boa parte dos agrupamentos que se reivindicam do Marxismo. De que a política neoliberal corresponde a crise de superprodução e com isto a luta pelo domínio do grande capital de todos os rincões do planeta, por tornar o mundo, mercado global de uma minoritária classe dominante e suas monstruosas corporações. Então a liberdade de comércio (eliminação das fronteiras, não ao "protecionismo") as desestatizações, o enxugamento do estado, etc. cumpre metas que possibilitam de um lado a diminuir o poder produtivo dos países oprimidos e assim torná-Ios simplesmente de potenciamento da exploração da mais valia (luta dos capitalistas por melhores taxas de lucro) e pelo domínio dos consumidores ao nível planetário, de outro lado de uma política que possibilita a estes paises saldar seus compromissos de endividamento externo aumentando-o dia a dia, tornando-os ainda mais dependente das metrópoles imperialistas e suas corporações.

Usam toda uma campanha em defesa da modernidade do avanço tecnológico, da imortalidade do sistema capitalista, etc.. Consegue inclusive atrair um grande setor de jovens para a "modernidade". Quando esta nada mais é do que a imposição do grande capital para solução de sua crise e com isto o agravamento da própria crise econômica mundial por parte da classe dominante. Do aumento do desemprego, fim dos direitos sociais e de toda a ordem de benefícios sociais conquistados ao longo da história.

A globalização nada mais é do que parte desta política com a argumentação de que estamos numa fase da livre concorrência e de que só irão sobreviver os setores econômicos que aderirem às normas do neoliberalismo. Estas distrações como a globalização não têm outro objetivo do que justificar os cortes de empregados, dos direitos sociais, da terceirização e toda a barbárie que o sistema capitalista precisa para sobreviver.

Como parte da confusão ideológica imposta pelo imperialismo está o uso da queda do Muro de Berlim e toda a problemática dos estados operários degenerados. O inevitável do vigor capitalista à volta do regime de propriedade privada só comprova as teses de Marx e Engels e as análises científicas de Trotsky e da falência do stalinismo.

Nossa constatação do processo em andamento na Rússia é de que o Estado passou a ser um Estado capitalista, pois 50% da economia já estão privatizados, o monopólio do comércio foi quebrado.

Então temos um Estado capitalista com uma boa porcentagem dos meios de produção estatal e uma base social e política no seio das massas guiada pela confusão e do embebedamento da ideologia burguesa. Os conflitos internos aprofundarão. Está colocada a construção do PARTIDO REVOLUCIONÁRIO MARXISTA para dar correspondência política à base social de defesa da economia socialista. Uma vez que o setor da burocracia que se opõe a Yeltsin por conteúdo político na essência está em concordância com as reformas capitalistas e, voltando ao poder, irá implementa-Ia de uma forma ora mais lenta, ora mais rápida.

V  - DO TRABALHO ENTRE MULHERES

O princípio de nosso trabalho se resume na necessidade da luta anticapitalista, pela instalação da ditadura do proletariado rumo ao comunismo, sem o qual as desigualdades sociais não se acabarão.

O fim do capitalismo se justifica e se torna imperioso devido a contradição existente entre as forças produtivas e os meios de produção, na miséria advinda desta contradição. Miséria essa, em todos os níveis, desde o econômico com milhões de homens, mulheres, crianças, adultos sem as mínimas condições de existência na cidade e no campo, quando empregados, o são por um salário formal (nominal). Com o avanço da crise econômica cada vez mais os oprimidos se deslocam para as grandes cidades a procura de uma vida melhor, ou, pelo menos, de uma melhor possibilidade de solidariedade.

As forças produtivas, apesar do desenvolvimento da maquinaria, robótica e da informática por um lado como mecanismo permanente de aumentar as taxas de lucro e das concorrências entre as corporações aumenta cada vez mais o desemprego e miséria agravando cada vez mais a crise. Desta forma podemos afirmar que o desenvolvimento parcial das forças produtivas (maquinaria, informática) nas mãos dos capitalistas comparece como sinônimo de barbarização da sociedade e não com instrumento de desenvolvimentos das forças produtivas em seu conjunto. Temos então o desenvolvimento como o agravamento da crise e acirramento da contradição entre força produtiva, meios de produção e as relações de produção capitalista.

A burguesia se torna impotente diante deste fenômeno, uma vez que para essa se tornar revolucionária e apontar saída para a crise, teria que ir contra o eixo principal sobre o qual gira a sociedade capitalista que é a propriedade privada dos meios de produção e a conseqüente apropriação individual do trabalho coletivo. Assim, qualquer perspectiva de melhoria de vida do operariado e da nação oprimida, está intimamente ligado à luta pela coletivização dos meios de produção, com a conseqüente expropriação da burguesia.

A luta da mulher pela sua emancipação deve ser parte desta luta, somente na incorporação das mulheres na luta pelo fim do capitalismo rumo a sociedade comunista pode servir de instrumento real de sua movimentação.

Os verdadeiros produtores devem tomar os aparelhos de produção e criar novas formas econômicas.

Só assim se poderão desenvolver as forças produtivas.

Se não derrotarmos a burguesia ficaremos igualmente impotentes e o peso da crise se jogará em nossos ombros e pagaremos, como estamos pagando, com fome, miséria e todo tipo de privação. Nenhum governo eleito ou militar (burguês) poderá nos aliviar do sofrimento. Só a conquista do poder pelo proletariado garantirá nossos direitos e nossos interesses.

E, para apressar a hora do enfrentamento com a burguesia, as mulheres, juntamente com os homens, devem adquirir consciência de que sem a construção do partido internacional do proletariado (comunista) não chegaremos à vitória. Se não nos unirmos a todos os oprimidos e não rechaçarmos os movimentos feministas que concluem que a libertação da mulher se resume na luta contra o homem, contra o machismo, etc. estaremos fadados a barbárie.

Estas manifestações, bem como todas as discriminações de sexo, raça, cor, idade, etc. são frutos da divisão da sociedade em classes e somente com a sociedade comunista, sem a divisão em classes, com um produzir a vida para todos se acabará com toda forma de discriminação e opressão.

O direito ao voto não suprime a causa primeira da submissão da mulher dentro da família e da sociedade e não lhe dará solução para o problema das relações entre os sexos. A igualdade, não formal, mas real da mulher só será possível num regime comunista, em que ela seja dona de seus instrumentos de produção e repartição.

A luta eleitoral de solução dos problemas dos oprimidos através do voto (eleição de candidatos, etc.) faz parte da política da burguesia e da sua representação, podendo ser usada pelos revolucionários de forma secundaria nas formas estabelecidas pelos quatro primeiros congressos da terceira internacional. Já a luta revolucionária das mulheres e homens deve ser guiada prioritariamente na luta direta e suas formas de organizações massivas, as assembléias populares, os conselhos, etc. Tudo dependerá de nós mesmos e de nossa organização e politização.

O primeiro passo para chegarmos à sociedade sem classes é nos educarmos no espírito comunista. Travarmos um duro combate contra os preconceitos às mulheres presentes nas massas proletárias, reforçando assim o espírito e o ideal de solidariedade dos interesses dos oprimidos de ambos os sexos.

Temos que despertar nossas atividades, participando das ações de massas e na luta contra a exploração capitalista.

Contra a carestia, a crise de habitação e o desemprego.

Lutar contra a influência da tradição dos costumes burgueses, só assim vamos preparar o terreno para uma vida harmoniosa.

A atuação dos sindicatos e a luta pela construção do partido marxista é uma condição absolutamente necessária para a revolução proletária.

Temos no Brasil, ainda, uma grande parte de mulheres que dedicam seu tempo exclusivo às atividades do lar (domésticas). Com a crise capitalista se aprofundando, os salários rebaixados, na maioria das vezes, representando não mais do que 20% do valor do salário mínimo real. Assim, a mulher dona de casa, fica reservada a tarefa de administrar essa miserável quantia, além de dedicar-se, na maioria das vezes, a todas as tarefas e responsabilidades da educação, zelo e alimentação das crianças.

A mulher com tripla exploração como operária, como dona de casa e como reprodutora da força de trabalho, nas tarefas rotineiras do lar, na administração dos salários nominais e nos afazeres diários tornando estas proletárias repetidoras de tarefas, o que as torna embrutecidas. A tarefa colocada para as mulheres ombro a ombro com os homens, na inter-relação entre as organizações de massa e o Partido, como combatentes proletários e dos oprimidos em geral na luta pelo comunismo.

A falta de habitação, creches, postos de saúde, altas taxas de luz e água, a vestimenta e a alimentação, colocam toda uma possibilidade de incorporação das mulheres na luta.

A primeira medida das mulheres é se juntar nos movimentos dos bairros operários pelas reivindicações que unam a todos, nos movimentos populares, colocando a união com a luta sindical pelas reivindicações transitórias, na conformação das organizações superiores, os Sovietes no sentido de uma ponte para a luta pelo Socialismo.

Uma outra medida de muita importância é o trabalho entre mulheres donas de casa ou mesmo as que acumulam a dupla função - operária e dona de casa na incorporação na luta pela proletária e a formação de um sindicato das donas de casa seria um fator importante, desde que voltado para organização independente das mulheres nos bairros operários, nas associações, no sentido de fortalecer a luta da mulher e do homem operário pelo salário mínimo real, englobando toda a comunidade na luta econômica. A importância dos revolucionários estarem à frente desta luta é a de transformar esta luta econômica na luta anticapitalista, na conscientização das massas proletárias no sentido da libertação e a destruição do capitalismo.

Se o partido marxista não se afina com uma política de enraizamento no seio das massas, na luta envolvendo toda a vasta camada social feminina, na junção com os oprimidos em geral, não potenciando o partido marxista terá como conseqüência: as divagações intelectuais e reformistas da revolução proletária constando tão somente das grandes avaliações de conjuntura em que tudo se propõe e se resolve por intermédio de alguns manifestos, etc.

A libertação da mulher faz parte da luta pela instalação da ditadura do proletariado, na construção do partido marxista e na luta diária pelas reivindicações das massas, no trabalho paciencioso de organização, luta e conscientização, nos cursos de formação política, na organização do proletariado como classe para si.

 

ESTAS RESOLUÇÕES FORAM APROVADAS NA CONFERÊNCIA DE FUNDAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO PELO -  P.O.M. - PARTIDO OPERÁRIO MARXISTA, EM 29 DE SETEMBRO DE 1.996.

Como se pode notar, trata-se de uma Resolução resumida que, apesar de incipiente e não contar com uma análise profunda da realidade brasileira e de análise profunda da situação internacional, conta já, com as bases fundamentais que tornarão possível, se avançar nesta perspectiva sem desvia­-Ia, como ocorreu e ocorre na maioria dos grupamentos ditos "marxistas" que se auto-intitulam representantes do proletariado sem ao menos conhece-Ios de perto.

A ORGANIZAÇÃO TEM COMO DESAFIO - A ELEVAÇÃO DO CONHECIMENTO POLÍTICO (TEÓRICO), O CONHECIMENTO DA REALIDADE A TRANSFORMAR, E, PRINCIPALMENTE, A PENETRAÇÃO NO MOVIMENTO SINDICAL (OPERÁRIO).

Solicitamos aos valiosos lutadores que, mesmo com divergências programáticas nos auxilie nesta empreitada, tendo em vista a necessidade histórica da construção da direção revolucionária.

Ressaltamos que a conquista destas resoluções fazem parte das aquisições teóricas advindas do calor da luta de classes, desta forma se caracteriza na sua concretude e vigor.

Diadema, em 29 de setembro de 1.996

         Contatos através da Caixa Postal nº 00027 (ATUAL N° 140 CEP 09910-970)- Diadema - São Paulo

         Assinam: Os participantes da 1ª Conferência do P.O.M.